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Cacique Assis Txanamashã recebendo o prêmio Foto: Edegard De Deus |
No dia em que, se estivesse vivo, completaria 69
anos de idade houve, em frente ao Palácio Rio Branco mais uma edição do Prêmio
Chico Mendes. de Florestania em reconhecimento aos que realizaram trabalhos em
prol do meio ambiente.
Neste ano o prêmio foi dividido em três categorias:
Comunitária, Origem Estadual, Origem Nacional ou Internacional.
Na categoria Comunitária, o prêmio foi dividido
entre a Comunidade Porongaba e a Organização de Agricultores Kaxinawá
da Terra Indígena Colônia 27, por suas atividades econômicas de
respeito à floresta e verdadeiras práticas de desenvolvimento sustentável.
A Terra Indígena colônia 27 começou a ser formada no
ano de 1972, com a chegada de três famílias Kaxinawá. O então prefeito de
Tarauacá nessa época doou um pedaço de Terra nas margens do igarapé 27 (chamado
de Pinuyá pelos Kaxinawá) e ali foi fundada a aldeia Pinuyá. Em 30 de
outubro de 1991, a Terra Indígena colônia 27 foi demarcada e homologada
com 105 hectares de extensão. No ano de 2002, mais 200 hectares
foram comprados pelo Governo do Estado do Acre e acrescidos ao território com
medida mitigadora, através do Plano de Mitigação da BR 364.
Vista da área principal da TI Colônia 27 - Foto: Ramalho Martins |
Esta terra indígena é a menor do Acre,
possuindo uma extensão total de 305 hectares, localiza-se a 5 quilômetros do
município de Tarauacá e seu acesso dá-se por via terrestre, pelo Ramal Epitácio
pessoa. Esta terra que está na incidência dos impactos da BR 364 possui alguns
problemas como a pouca quantidade de recursos naturais, sendo a questão da água
o principal problema, pois esta terra não possui nenhum rio, somente açudes e
um igarapé. Sua área está rodeada de fazendas e o acesso terrestre é bastante
complicado durante o período de inverno que deixa o ramal praticamente
intrafegável.
Apesar de todas as dificuldades esta comunidade
destaca-se pela constante busca de transformar sua terra num espaço salubre e
ambientalmente equilibrado pois, devido ao pequeno espaço de terra que possuem,
a limitação para a produção agrícola e a manutenção do meio ambiente são
desafios constantes.
Neste ano de 2013 destacaram-se pela produção de
banana onde o excedente foi vendido para o governo do estado, vindo a abastecer
os mercados da capital.
Destaca-se, ainda, o engajamento político das
lideranças locais, destacando-se o prof Assis Txanamashã Kaxinawá e o grande
cacique Manoel Gomes Maná Kaxinawá. Este último, bastante cotado para ser o
representante do movimento indígena na assembléia legislativa estadual.
É uma comunidade bastante receptiva que procura
receber da melhor maneira possível. Qualquer visitante é tratado com muito
respeito, e tem a oportunidade de tomar um rapé forte, participar de uma sessão
de nixi pae (cipó-ayuasca) e ouvir os ensinamentos dos
antigos através das canções tradicionais dos antepassados e das novas canções
(em português) cantadas pelos mais jovens.
Alguns projetos vem sendo desenvolvidos pelo
governo do estado, FUNAI e SESAI nesta comunidade, destacando-se: projeto de
casas populares indígenas, sistema de abastecimento e saneamento, projeto de
vigilância, reflorestamento, criação de peixes, entre outros. Também
cita-se a construção da "arena" onde são realizadas as festas
tradicionais e demais datas comemorativas. A comunidade também possui uma
"casa de artesanato" onde os artesãos, em sua maioria mulheres, fazem
tecelagem, pulseiras, cordões e outros adereços bastante apreciados pelos nawa (não-índios).
Mulheres tecendo na "casa de artesanato" - Foto: Ramalho Martins |
Entre as personalidades premiadas neste dia tivemos
o querido Txai Macêdo, que encontra-se na luta pela sua saúde. Força txai!
Foi um reconhecimento merecido.
Parabéns
aos parentes da TI Kaxinawá da Colônia 27.
Neste ano de 2013
completa 25 anos que o seringueiro Chico Mendes foi assassinado e hoje,
16/12/2013, a presidenta Dilma Rousseff sancionou a Lei 12.892, declarando o
seringueiro patrono nacional do meio ambiente.
Por Jairo Lima
Indigenista Especializado
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