sexta-feira, 3 de maio de 2013

Laudo da PF comprova fraude em contrato no Grupo Recol



recol

Um laudo da Polícia Federal assinado por três peritos é usado em Juízo contra o empresário Roberto Alves Moura, proprietário do Grupo Recol, um consórcio de nove empresas com atuação no Acre, em Rondônia e Mato Grosso. O empresário é acusado de falsificar a alteração contratual que afastou da sociedade o seu próprio irmão, o hoje desempregado Clealdon de Matos Moura (veja entrevista dele abaixo), autor da ação mais vultosa no estado. A acusação pede R$ 500 milhões.

Os peritos Eduardo Eugênio Bruck, Fernando Augusto de Freitas e Pedro Miguel de Almeida examinaram 24 alterações e descobriram que em apenas duas há assinatura legítima da mãe do empresário, dona Raimunda Alves – inclusive na alteração número 02, objeto da ação, conforme a ilustração.Grosseiramente, o sobrenome Sousa foi grafado com “z” e noutros momentos os peritos indicam que as rubricas não foram feita pelo mesmo punho.
laudo


”As demais assinaturas são todas inautênticas”, assegura o advogado Maurício Hohenberg, que defende o irmão do empresário. O laudo é o mesmo que deixou sem saída o empresário (ele é apontado como o homem mais rico do Acre) na ação litigiosa movida pela sua ex-mulher, obrigando-o a fazer acordo para não perder o “coração” do império avaliado em R$ 1 bilhão: a TV Gazeta, afiliada da Rede Record no Acre. Uma perícia particular, feita pela acusação, também confirmou falsificações grosseiras, inclusive na assinatura do irmão do empresário, que garante: “jamais assinei documento nenhum”.

Dona Raimunda detinha 98% das cotas da empresa antes de, supostamente, ter comprado toda a parte de Clealdon de Mato Moura e transferir tudo para o nome de Roberto Moura.  “Se por um lado o irmão não vendeu, por outro a mãe também não comprou”, explica o advogado.

O irmão do empresário já foi beneficiado por justiça gratuita, por ser pobre, e sofre de sérios problemas de saúde, dentre eles aneurismas cerebrais – de acordo com laudos médicos juntados ao processo que pede, no mérito, que a alteração contratual alvo de fraude seja considerada nula de pleno direito e as cotas devolvidas.
O juiz do caso, Lois Rêgo, da 3ª Vara Criminal, havia negado que a ação corresse em segredo de justiça e, segundo o trâmite natural, deve intimar o empresário a se explicar sobre duas situações que a acusação considera “gravíssimas”

Impugnação
A acusação pedirá a impugnação de um laudo pericial feito por um funcionário do Estado do Acre, designado pelo secretário Reni Graebner (Segurança Pública). “Seria um laudo oficial, mas este está eivado de situações muito nebulosas. Consta que foi elaborado com base em documento sigiloso. Isso precisa ser explicado em juízo, levando-se em consideração a controvérsia entre os laudos, e, além disso, o perito indicado pela outra parte sequer apresentou ou assinou o laudo oficial”, afirmou Maurício Hohenberg. O perito assistente da defesa também não apresentou o seu laudo, preferindo confiar na análise feita pelo servidor do Estado, de acordo com o advogado. “Toda ação tem a possibilidade de um acordo”, finalizou o advogado.

Assem Neto, de Porto Velho

Nenhum comentário:

Postar um comentário