A
Comissão de Constituição Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado aprovou nesta
quarta-feira (9) projeto de lei que exige teor zero de álcool a quem for
dirigir. A proposta foi aprovada em caráter terminativo e será analisada na
Câmara dos Deputados.
Pela
lei atual, se a quantidade de álcool no sangue for de 0,11 até 0,33 mg por
litro de ar expelido, o motorista não responde criminalmente, embora seja
multado em R$ 957,70, perca o direito de dirigir por 12 meses e tenha a
carteira de habilitação retida.
Se a taxa álcool for superior a 0,34 mg/l, ele responde por crime de trânsito e pode ser condenado de seis meses a três anos de prisão.
Na
maioria dos casos, os motoristas alcoolizados se negam a fazer o teste do
bafômetro ou exame de sangue e, dessa maneira, só recebem a punição
administrativa, já que não há provas de que estavam dirigindo bêbados.
Segundo
o projeto do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), a comprovação do estado de
embriaguez do motorista poderá ser feita por outros meios, além do uso do
bafômetro, como ocorre hoje. A caracterização do crime poderá ser obtida por
meio de testes de alcoolemia (nível de álcool no sangue), exames clínicos,
perícia ou outras formas que permitam certificar, técnica e cientificamente, se
o condutor está ou não sóbrio. O uso de prova testemunhal, de imagens e vídeos
também será admitido para comprovação de um eventual estado de embriaguez.
Ao
defender o projeto, o senador Ricardo Ferraço considerou que o país vive uma
"epidemia" de violência no trânsito. “É preciso refletir se esse não
é o momento de evoluir para a tolerância zero contra esse tipo de atitude”,
afirmou.
O
senador Pedro Taques (PDT-MT), nomeado relator do projeto, defendeu a aprovação
da proposta e comentou que a comissão de juristas encarregada pelo Senado de
propor novo texto para o Código Penal também já estaria atenta a formas de
restringir a associação entre álcool e volante.
Taques acolheu emendas do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) para melhor especificar a punição dos infratores envolvidos em acidentes de trânsito que resultem em lesão corporal grave (reclusão de 3 a 8 anos); gravíssima (reclusão de 6 a 12 anos) e morte (reclusão de 8 a 16 anos). Multas e suspensão ou proibição da permissão para dirigir serão outras penas aplicáveis nas infrações de trânsito por embriaguez.
Como a
proposta passa a considerar crime qualquer nível de concentração de álcool no
sangue, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) mostrou preocupação de que um condutor
retido em uma blitz pudesse ser alvo de inquérito policial simplesmente por ter
comido um bombom recheado com licor antes de dirigir. Pedro Taques alegou,
porém, que uma pessoa nessa situação não teria embriaguez comprovada nem em
teste de bafômetro nem em exames físicos ou visuais.
Os
senadores Sérgio Petecão (PSD-AC) e Marcelo Crivella (PRB-RJ) também se
manifestaram a favor da matéria, que, se não for alvo de recurso para votação
pelo plenário do Senado, seguirá direto para a Câmara dos Deputados.
Lei
Seca
Em
vigor há mais de três anos, a Lei Seca ainda não foi capaz de reduzir
substancialmente o número de mortes em acidentes de trânsito no país. Segundo
dados do Ministério da Saúde, divulgados em junho de 2010 --o último balanço
oficial da pasta--, o número mortes caiu 6,2%.
Nos 12
meses anteriores à entrada em vigor da lei, de julho de 2007 a junho de 2008, o
número de mortes chegou a 37.161 no país. Já nos 12 meses seguintes, de julho
de 2008 a junho de 2009, o total foi de 34.859. Isso significa que, em todo o
país, foram registradas 2.302 mortes a menos após a implementação da lei.
*Com
informações da Agência Senado
Fonte: UOL

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